|
Ferreira Gullar, Carlos de Assumpção, Perce Polegatto, Sueli
Carneiro e Janaína Tokitaka são os autores homenageados desta edição,
enquanto Jorge Lima, engenheiro mecânico e atual secretário
estadual do Desenvolvimento Econômico , será o patrono da Feira
Internacional do Livro, que acontece entre os dias 1 e 11 de agosto
A Feira Internacional do Livro de Ribeirão
Preto (FIL) alcança sua 23ª edição e a festa preparada para
movimentar a cidade a partir do 1º dia de agosto tem como eixo de
sua programação os cinco séculos de nascimento do poeta português
Luís de Camões. O tema central “Cotidianos poéticos: Do épico
de Camões às batalhas de rua", convida o público a um exercício
analítico sobre os desdobramentos da literatura e da humanidade
nestes 500 anos. Cinco autores de língua portuguesa são
homenageados neste ano: Ferreira Gullar (escritor, in memorian),
Carlos de Assumpção (escritor), Perce Polegatto (autor local),
Sueli Carneiro (autora Educação) e Janaína Tokitaka (autora
infantojuvenil). O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico,
Jorge Lima, é o patrono do evento.

Nascido
em São Luís do Maranhão como José Ribamar Ferreira, o escritor
Ferreira Gullar - falecido em 2016 -, é reconhecido como um dos
maiores poetas brasileiros contemporâneos. Defensor da cultura
popular e da justiça social, Gullar produziu uma extensa obra
inovadora e engajada, que vai do lirismo intimista ao
experimentalismo concreto e neoconcreto. Versátil, o poeta
transitou por diferentes fases e estilos em suas seis décadas de
produção literária, com escrita marcada pela inventividade e
humor. O autor também foi crítico de arte, tradutor, memorialista,
biógrafo, ensaísta e um dos fundadores do neoconcretismo,
movimento artístico e literário surgido no Brasil no final da década
de 1950. “Poema Sujo”, escrito durante o exílio de Gullar na
Argentina, é considerado texto central em sua obra. O escritor
tornou-se imortal na Academia Brasileira de Letras, foi indicado
para o Prêmio Nobel de Literatura (2002), venceu o Prêmio Jabuti
(2007), com o livro de crônicas “Resmungos”; foi considerado
pela revista Época (2009), como um dos cem brasileiros mais
influentes daquele ano; e em 2010 recebeu o Prêmio Camões.
Carlos
de Assumpção, um dos nomes mais importantes da literatura
afro-brasileira, é também referenciado. Poeta, advogado e
professor, Assumpção, de 96 anos, nasceu na cidade de Tietê,
viveu alguns anos em São Paulo, onde estreitou seu contato com
outras referências da militância negra, como Solano Trindade,
Abdias do Nascimento, Associação Cultural do Negro. Depois, levado
pelo magistério a morar em Franca, adotou a cidade como destino da
vida toda. Graduou-se em Letras pela Universidade Estadual Paulista
(Unesp); e em Direito pela Universidade de Franca.
A
infância materialmente pobre fez contraponto com a riqueza das
referências culturais e políticas que Assumpção recebeu do avô,
beneficiário da lei do Ventre Livre e eixo da inspiração para sua
produção poética. Negritude e ancestralidade africana marcam a
obra do escritor, lida e entendida como um grito contra o racismo e
a desigualdade social. Em 1958, ganhou o título de personalidade
negra pela Associação Cultural do Negro, a um dos tantos prêmios
que recebeu ao longo da vida. Diversas bibliotecas são nomeadas em
sua homenagem e, em 2021, foi laureado doutor honoris causa pela
Unesp e, em 2022, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ). No início dos anos 1980, seu poema “Protesto” tornou-se
símbolo da ascensão e das reivindicações da intelectualidade
negra do Estado de São Paulo, além de ganhar o primeiro lugar num
concurso de poesia falada (slam). Quase centenário, o poeta segue
ativo. É membro da Academia Francana de Letras, coordenador do
coral Afro-francano, do grupo Canto e Verso, que realiza rodas de
poemas em escolas de Franca, e do evento Semana da Raça.
Autor
ribeirão-pretano

Graduado
em Letras, com especialização em Literatura, Perce Polegatto foi
escolhido como escritor ribeirão-pretano homenageado da 23ª FIL. A
indicação foi recebida com surpresa pelo autor. “Nunca me
imaginei como homenageado num evento deste porte. Não me parecia
possível. E o fato de a feira ser realizada em minha cidade,
potencializa o valor desse convite”, comenta Polegatto.
Criança
amante da leitura, o autor atravessou a infância fascinado por
livros e HQs, que comprava na feira livre próxima à sua casa,
juntando moedas que ganhava do pai e de um tio. “As aventuras não
terminavam. Seguiam até a próxima feira livre, que era um dia mágico
e significava que eu ia encontrar mais coisas fascinantes e
extraordinárias que só existiam naquelas páginas”, recorda o
autor. Aos 19 anos, ele se iniciou na escrita. Primeiro pela poesia,
e depois pela prosa, com o livro “Os últimos dias de agosto”,
seu primeiro romance, que consumiu oito anos de produção, obra que
o escritor considera como seu melhor trabalho.
A
produção autoral de Perce Polegatto tem como marcas a
metalinguagem, a busca da identidade humana e o questionamento
existencial. “A escrita me entusiasma porque oferece oportunidades
de criar e simular a realidade de maneira mais interessante do que
ela é”, afirma o homenageado, que sempre esteve na FIL como
visitante. Sobre a literatura brasileira, Polegatto vê com otimismo
a quantidade de novos escritores surgidos nos últimos anos. “No século
20, nossa literatura se diversificou muito e ultrapassou as
expectativas em relação à Portugal, nossa principal matriz
cultural”, concluiu.
A
voz das mulheres
Sueli
Carneiro (autora educação) e Janaína Tokitaka (autora
infantojuvenil) são as escritoras homenageadas pela 23ª Feira
Internacional do Livro de Ribeirão Preto. Nome de destaque no cenário
da literatura feminina brasileira, a paulistana Sueli Carneiro -
doutora em Filosofia pela Universidade de São Paulo -, é uma das
principais vozes do feminismo negro no Brasil. São dela livros como
“Escravidão, racismo e sexismo: a encruzilhada da mulher
negra" e "Enegrecer o feminismo: a mulher negra na
sociedade brasileira", entre vários outros títulos. Fundadora
do Geledés - Instituto da Mulher Negra, entidade de referência na
luta pela igualdade racial e de gênero, é ativista antirracismo e
de direitos humanos.
Primeira
mulher negra a receber o título de doutora honoris causa na
Universidade de Brasília, Sueli é ganhadora de diversos
reconhecimentos públicos, como o Prêmio Especial Vladimir Herzog,
Prêmio Itaú Cultural 30 Anos, Prêmio Direitos Humanos da República
Francesa e Prêmio Bertha Lutz. A escritora integrou o Conselho
Nacional da Condição Feminina, colaborou na redação do capítulo
referente aos negros no Programa
Nacional de Direitos Humanos e escreveu mais de cem artigos para
o jornal Correio
Braziliense, compilados no livro “Racismo, sexismo e
desigualdade no Brasil”. Em 2018, foi criado o selo editorial Sueli
Carneiro, inaugurado com uma coletânea em sua homenagem, em
reconhecimento à importância de suas ideias e atuação.

A
escritora e ilustradora Janaina Tokitaka estreou na literatura em
2010, com a publicação de "Tem um monstro no meu
jardim", seu primeiro álbum ilustrado. De lá para cá, ela
colocou outras 40 obras no mercado, encantando crianças e
adolescentes em todo o Brasil. Comemorando 20 anos de literatura
infantojuvenil, a autora se diz animada com a expectativa de
celebrar a data na FIL, junto com crianças, adolescentes, pais e
professores. “São as pessoas que mais importam na minha
caminhada”, enfatiza.
Para
Janaina, escrever para crianças e adolescentes é um enorme privilégio.
“Nunca vamos ler com tanta capacidade de imersão quanto na infância
e adolescência. E quero que meus traços, linhas e cores digam para
as crianças que elas podem. Essa é minha guia criativa”, comenta
Tokitaka, que é bacharel em Artes Plásticas pela Universidade de São
Paulo e assina textos e ilustrações de seus livros. “Pedro vira
porco-espinho” e “ABCDelas” são alguns dos seus premiados títulos.
Paralelamente
à produção para o público infantojuvenil, a escritora atua como
roteirista de televisão. Nessa seara, ela adaptou a obra “De
volta aos 15”, na Netflix, que roteirizou e chefiou a primeira
temporada. Para o canal Disney Plus, escreveu e criou a ficção
científica “Mila no multiverso”, e escreveu animações
infantis como “Oswaldo”, “Clube da Anitinha”, e uma derivada
da série DPA (Detetives do Prédio Azul). “Para mim, o jeito
natural de contar histórias é por meio de texto e imagem, seja em
livros, como na televisão e cinema. Uma combinação que crianças
e adolescentes fãs de HQ e seriados visuais gostam bastante”.
Para ela, a literatura infantojuvenil brasileira é uma das melhores
do mundo. “Nossos ilustradores e escritores têm uma variedade gráfica
e narrativa enorme e vejo com muito otimismo os novos talentos que
vem surgindo”, finaliza.
Patrono
O
engenheiro mecânico Jorge Lima, atual secretário de Estado do
Desenvolvimento Econômico, será o patrono da FIL em 2024. Graduado
pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG),
Lima é experiente na atuação como CEO em diversas companhias, e
na esfera da administração pública foi assessor especial do
ministro da Economia, Paulo Guedes, em 2022. É sócio e
vice-presidente de Estratégias e Negócios do Grupo H, presidente
do Conselho Internacional do Brasil Export e membro de outros
conselhos empresariais. Para Lima, ser patrono de uma feira literária
representa sua crença na importância da literatura na formação
de pessoas. “Sem cultura e educação não há desenvolvimento
econômico sustentável”, enfatiza o secretário.
Reconhecida
como um dos maiores eventos literários a céu aberto da América
Latina, a FIL - organizada e realizada pela Fundação do Livro e
Leitura de Ribeirão Preto - ainda terá outros enfoques atrelados
à abordagem central do evento. Dois deles são os 150 anos da
imigração italiana e os 200 anos da imigração alemã no Brasil.
Segundo Dulce Neves, presidente da Fundação, todo o preparo da 23ª
FIL tem um olhar múltiplo para as diversas vertentes da literatura
e diferentes manifestações artísticas. “Nesta edição, vamos
manter a linha multicultural, sempre com foco na atração de todos
os perfis de leitores. A ideia é fazermos um mergulho no passado e
no presente, vislumbrando as perspectivas futuras da literatura e da
leitura, sempre com o objetivo estrutural da evolução humana”,
destaca Dulce. “A poesia de Camões segue ecoando, como no slam,
por exemplo”, fala Adriana Silva, curadora da feira e
vice-presidente da Fundação do Livro, referindo-se à poesia
falada, que também terá destaque na agenda do evento.
Mais
informações:
www.fundacaodolivroeleiturarp.com
Instagram: @fundacaolivrorp
Facebook: @fundacaodolivroeleiturarp
YouTube: /FeiraDoLivroRibeirao
Twitter: @FundacaoLivroRP
Realização
Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da
Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas, Prefeitura
Municipal de Ribeirão Preto, Usina Alta Mogiana, GS Inima Ambient e
Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto apresentam a 23ª
FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto.
Patrocínio Diamante: Usina Alta Mogiana e GS Inima Ambient
Patrocínio Ouro: Arteris
Patrocínio Prata: Necta Gás Natural e Savegnago
Patrocínio Bronze: Gerdau, Lupo, Ribeirão Shopping Multiplan e
Tracan
Instituição Cultural: Sesc
Apoio Cultural: APAA - Associação Paulista Amigos da Arte, ACIRP -
Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto, Universidade
Anhembi Morumbi, Apis Flora, Caldema, Grupo Intelli, Cervejaria
Invicta, Gnatus Equipamentos Odontológicos, Supermercados Gricki,
Madeiranit, Monreale Hotels, Grupo Passalacqua, Passalacqua Tech,
Riberfoods, Santa Helena, Real Supermercados, Santiago e Cintra
Geotecnologias, Santa Emília, Vantage GeoAgri, Transface, Grupo
Utam, Pedra Agroindustrial e Virbag.
Apoio Institucional: Fundação Dom Pedro II, Biblioteca Sinhá
Junqueira, Consulado Geral de Portugal, Camões Instituto da Cooperação
e da Língua Portugal, CUFA - Central Única das Favelas, ONG Arco
Íris, Coletivo Abayomi, Diretoria de Ensino - Região de Ribeirão
Preto, ETEC José Martimiano da Silva, Fundação Educandário,
SESI, SENAC, Barão de Mauá, Centro Universitário Moura Lacerda,
Unaerp, IE - Instituto de Estudos Avançados Da Universidade de São
Paulo, Adevirp - Associação dos Deficientes Visuais de Ribeirão
Preto e Região, Ann Sullivan, Associação dos Surdos de Ribeirão
Preto, CAEERP,Dr. Cãopaixão, FADA, Fundação Panda, RibDown, ALMA
- Academia Livre de Música e Artes, Convention & Visitors
Bureau, Painew, Verbo Nostro Comunicação Planejada, IPCCIC, RP
Cine, Guarda Civil e Polícia Militar.
Sobre
a FIL
A FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto) consagrou-se
como um dos maiores eventos culturais do país e tornou-se
internacional em 2020. Atualmente, possui 24 anos de história e
realiza neste ano a sua 23ª edição. A cada ano, a programação
reúne autores, artistas, intelectuais, educadores, estudantes e
participantes de diversas localidades. Todas as atividades são
gratuitas e abertas à população, o que consolida o objetivo
primordial de fomentar a leitura e de contribuir para ampliar os números
de leitores do país.
Sobre
a Fundação
A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto é uma entidade
de direito privado, sem fins lucrativos, responsável pela realização
da Feira Internacional do Livro da cidade, hoje considerada a
segunda maior feira a céu aberto do país. Com uma trajetória
sólida, projeção nacional e agora internacional, a entidade
ganhou experiência e, atualmente, além da feira, realiza muitos
outros projetos ligados ao universo do livro e da leitura, com
calendário de atividades durante todo o ano. A Fundação do Livro
e Leitura se mantém com o apoio de mantenedores e patrocinadores,
com recursos diretos e advindos das leis de incentivo, em especial
do Pronac e do ProAc.
|