Especial:
22ª FEIRA INTERNACIOAL DO LIVRO

 

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23ª FIL PRESTA HOMENAGEM A CINCO AUTORES BRASILEIROS E NOMEIA PATRONO
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Ferreira Gullar, Carlos de Assumpção, Perce Polegatto, Sueli Carneiro e Janaína Tokitaka são os autores homenageados desta edição, enquanto Jorge Lima, engenheiro mecânico e atual secretário estadual do Desenvolvimento Econômico , será o patrono da Feira Internacional do Livro, que acontece entre os dias 1 e 11 de agosto

                                         


A Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto (FIL) alcança sua 23ª edição e a festa preparada para movimentar a cidade a partir do 1º dia de agosto tem como eixo de sua programação os cinco séculos de nascimento do poeta português Luís de Camões. O tema central “Cotidianos poéticos: Do épico de Camões às batalhas de rua", convida o público a um exercício analítico sobre os desdobramentos da literatura e da humanidade nestes 500 anos. Cinco autores de língua portuguesa são homenageados neste ano: Ferreira Gullar (escritor, in memorian), Carlos de Assumpção (escritor), Perce Polegatto (autor local), Sueli Carneiro (autora Educação) e Janaína Tokitaka (autora infantojuvenil). O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jorge Lima, é o patrono do evento.  


Nascido em São Luís do Maranhão como José Ribamar Ferreira, o escritor Ferreira Gullar - falecido em 2016 -, é reconhecido como um dos maiores poetas brasileiros contemporâneos. Defensor da cultura popular e da justiça social, Gullar produziu uma extensa obra inovadora e engajada, que vai do lirismo intimista ao experimentalismo concreto e neoconcreto. Versátil, o poeta transitou por diferentes fases e estilos em suas seis décadas de produção literária, com escrita marcada pela inventividade e humor. O autor também foi crítico de arte, tradutor, memorialista, biógrafo, ensaísta e um dos fundadores do neoconcretismo, movimento artístico e literário surgido no Brasil no final da década de 1950. “Poema Sujo”, escrito durante o exílio de Gullar na Argentina, é considerado texto central em sua obra. O escritor tornou-se imortal na Academia Brasileira de Letras, foi indicado para o Prêmio Nobel de Literatura (2002), venceu o Prêmio Jabuti (2007), com o livro de crônicas “Resmungos”; foi considerado pela revista Época (2009), como um dos cem brasileiros mais influentes daquele ano; e em 2010 recebeu o Prêmio Camões.

Carlos de Assumpção, um dos nomes mais importantes da literatura afro-brasileira, é também referenciado. Poeta, advogado e professor, Assumpção, de 96 anos, nasceu na cidade de Tietê, viveu alguns anos em São Paulo, onde estreitou seu contato com outras referências da militância negra, como Solano Trindade, Abdias do Nascimento, Associação Cultural do Negro. Depois, levado pelo magistério a morar em Franca, adotou a cidade como destino da vida toda. Graduou-se em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp); e em Direito pela Universidade de Franca.  

A infância materialmente pobre fez contraponto com a riqueza das referências culturais e políticas que Assumpção recebeu do avô, beneficiário da lei do Ventre Livre e eixo da inspiração para sua produção poética. Negritude e ancestralidade africana marcam a obra do escritor, lida e entendida como um grito contra o racismo e a desigualdade social. Em 1958, ganhou o título de personalidade negra pela Associação Cultural do Negro, a um dos tantos prêmios que recebeu ao longo da vida. Diversas bibliotecas são nomeadas em sua homenagem e, em 2021, foi laureado doutor honoris causa pela Unesp e, em 2022, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No início dos anos 1980, seu poema “Protesto” tornou-se símbolo da ascensão e das reivindicações da intelectualidade negra do Estado de São Paulo, além de ganhar o primeiro lugar num concurso de poesia falada (slam). Quase centenário, o poeta segue ativo. É membro da Academia Francana de Letras, coordenador do coral Afro-francano, do grupo Canto e Verso, que realiza rodas de poemas em escolas de Franca, e do evento Semana da Raça.  

Autor ribeirão-pretano  

Graduado em Letras, com especialização em Literatura, Perce Polegatto foi escolhido como escritor ribeirão-pretano homenageado da 23ª FIL. A indicação foi recebida com surpresa pelo autor. “Nunca me imaginei como homenageado num evento deste porte. Não me parecia possível. E o fato de a feira ser realizada em minha cidade, potencializa o valor desse convite”, comenta Polegatto.  

Criança amante da leitura, o autor atravessou a infância fascinado por livros e HQs, que comprava na feira livre próxima à sua casa, juntando moedas que ganhava do pai e de um tio. “As aventuras não terminavam. Seguiam até a próxima feira livre, que era um dia mágico e significava que eu ia encontrar mais coisas fascinantes e extraordinárias que só existiam naquelas páginas”, recorda o autor. Aos 19 anos, ele se iniciou na escrita. Primeiro pela poesia, e depois pela prosa, com o livro “Os últimos dias de agosto”, seu primeiro romance, que consumiu oito anos de produção, obra que o escritor considera como seu melhor trabalho.  

A produção autoral de Perce Polegatto tem como marcas a metalinguagem, a busca da identidade humana e o questionamento existencial. “A escrita me entusiasma porque oferece oportunidades de criar e simular a realidade de maneira mais interessante do que ela é”, afirma o homenageado, que sempre esteve na FIL como visitante. Sobre a literatura brasileira, Polegatto vê com otimismo a quantidade de novos escritores surgidos nos últimos anos. “No século 20, nossa literatura se diversificou muito e ultrapassou as expectativas em relação à Portugal, nossa principal matriz cultural”, concluiu.  

      

A voz das mulheres  
Sueli Carneiro (autora educação) e Janaína Tokitaka (autora infantojuvenil) são as escritoras homenageadas pela 23ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto. Nome de destaque no cenário da literatura feminina brasileira, a paulistana Sueli Carneiro - doutora em Filosofia pela Universidade de São Paulo -, é uma das principais vozes do feminismo negro no Brasil. São dela livros como “Escravidão, racismo e sexismo: a encruzilhada da mulher negra" e "Enegrecer o feminismo: a mulher negra na sociedade brasileira", entre vários outros títulos. Fundadora do Geledés - Instituto da Mulher Negra, entidade de referência na luta pela igualdade racial e de gênero, é ativista antirracismo e de direitos humanos.   

Primeira mulher negra a receber o título de doutora honoris causa na Universidade de Brasília, Sueli é ganhadora de diversos reconhecimentos públicos, como o Prêmio Especial Vladimir Herzog, Prêmio Itaú Cultural 30 Anos, Prêmio Direitos Humanos da República Francesa e Prêmio Bertha Lutz. A escritora integrou o Conselho Nacional da Condição Feminina, colaborou na redação do capítulo referente aos negros no Programa Nacional de Direitos Humanos e escreveu mais de cem artigos para o jornal Correio Braziliense, compilados no livro “Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil”. Em 2018, foi criado o selo editorial Sueli Carneiro, inaugurado com uma coletânea em sua homenagem, em reconhecimento à importância de suas ideias e atuação.  

A escritora e ilustradora Janaina Tokitaka estreou na literatura em 2010, com a publicação de "Tem um monstro no meu jardim", seu primeiro álbum ilustrado. De lá para cá, ela colocou outras 40 obras no mercado, encantando crianças e adolescentes em todo o Brasil. Comemorando 20 anos de literatura infantojuvenil, a autora se diz animada com a expectativa de celebrar a data na FIL, junto com crianças, adolescentes, pais e professores. “São as pessoas que mais importam na minha caminhada”, enfatiza.  

Para Janaina, escrever para crianças e adolescentes é um enorme privilégio. “Nunca vamos ler com tanta capacidade de imersão quanto na infância e adolescência. E quero que meus traços, linhas e cores digam para as crianças que elas podem. Essa é minha guia criativa”, comenta Tokitaka, que é bacharel em Artes Plásticas pela Universidade de São Paulo e assina textos e ilustrações de seus livros. “Pedro vira porco-espinho” e “ABCDelas” são alguns dos seus premiados títulos.   

Paralelamente à produção para o público infantojuvenil, a escritora atua como roteirista de televisão. Nessa seara, ela adaptou a obra “De volta aos 15”, na Netflix, que roteirizou e chefiou a primeira temporada. Para o canal Disney Plus, escreveu e criou a ficção científica “Mila no multiverso”, e escreveu animações infantis como “Oswaldo”, “Clube da Anitinha”, e uma derivada da série DPA (Detetives do Prédio Azul). “Para mim, o jeito natural de contar histórias é por meio de texto e imagem, seja em livros, como na televisão e cinema. Uma combinação que crianças e adolescentes fãs de HQ e seriados visuais gostam bastante”. Para ela, a literatura infantojuvenil brasileira é uma das melhores do mundo. “Nossos ilustradores e escritores têm uma variedade gráfica e narrativa enorme e vejo com muito otimismo os novos talentos que vem surgindo”, finaliza.  

Patrono  
O engenheiro mecânico Jorge Lima, atual secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, será o patrono da FIL em 2024. Graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), Lima é experiente na atuação como CEO em diversas companhias, e na esfera da administração pública foi assessor especial do ministro da Economia, Paulo Guedes, em 2022. É sócio e vice-presidente de Estratégias e Negócios do Grupo H, presidente do Conselho Internacional do Brasil Export e membro de outros conselhos empresariais. Para Lima, ser patrono de uma feira literária representa sua crença na importância da literatura na formação de pessoas. “Sem cultura e educação não há desenvolvimento econômico sustentável”, enfatiza o secretário.   

Reconhecida como um dos maiores eventos literários a céu aberto da América Latina, a FIL - organizada e realizada pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto - ainda terá outros enfoques atrelados à abordagem central do evento. Dois deles são os 150 anos da imigração italiana e os 200 anos da imigração alemã no Brasil. Segundo Dulce Neves, presidente da Fundação, todo o preparo da 23ª FIL tem um olhar múltiplo para as diversas vertentes da literatura e diferentes manifestações artísticas. “Nesta edição, vamos manter a linha multicultural, sempre com foco na atração de todos os perfis de leitores. A ideia é fazermos um mergulho no passado e no presente, vislumbrando as perspectivas futuras da literatura e da leitura, sempre com o objetivo estrutural da evolução humana”, destaca Dulce. “A poesia de Camões segue ecoando, como no slam, por exemplo”, fala Adriana Silva, curadora da feira e vice-presidente da Fundação do Livro, referindo-se à poesia falada, que também terá destaque na agenda do evento.  

   
Mais informações:
www.fundacaodolivroeleiturarp.com
Instagram: @fundacaolivrorp
Facebook: @fundacaodolivroeleiturarp
YouTube: /FeiraDoLivroRibeirao
Twitter: @FundacaoLivroRP  

Realização
Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas, Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, Usina Alta Mogiana, GS Inima Ambient e Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto apresentam a 23ª FIL - Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto.
Patrocínio Diamante: Usina Alta Mogiana e GS Inima Ambient
Patrocínio Ouro: Arteris
Patrocínio Prata: Necta Gás Natural e Savegnago
Patrocínio Bronze: Gerdau, Lupo, Ribeirão Shopping Multiplan e Tracan
Instituição Cultural: Sesc
Apoio Cultural: APAA - Associação Paulista Amigos da Arte, ACIRP - Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto, Universidade Anhembi Morumbi, Apis Flora, Caldema, Grupo Intelli, Cervejaria Invicta, Gnatus Equipamentos Odontológicos, Supermercados Gricki, Madeiranit, Monreale Hotels, Grupo Passalacqua, Passalacqua Tech, Riberfoods, Santa Helena, Real Supermercados, Santiago e Cintra Geotecnologias, Santa Emília, Vantage GeoAgri, Transface, Grupo Utam, Pedra Agroindustrial e Virbag.
Apoio Institucional: Fundação Dom Pedro II, Biblioteca Sinhá Junqueira, Consulado Geral de Portugal, Camões Instituto da Cooperação e da Língua Portugal, CUFA - Central Única das Favelas, ONG Arco Íris, Coletivo Abayomi, Diretoria de Ensino - Região de Ribeirão Preto, ETEC José Martimiano da Silva, Fundação Educandário, SESI, SENAC, Barão de Mauá, Centro Universitário Moura Lacerda, Unaerp, IE - Instituto de Estudos Avançados Da Universidade de São Paulo, Adevirp - Associação dos Deficientes Visuais de Ribeirão Preto e Região, Ann Sullivan, Associação dos Surdos de Ribeirão Preto, CAEERP,Dr. Cãopaixão, FADA, Fundação Panda, RibDown, ALMA - Academia Livre de Música e Artes, Convention & Visitors Bureau, Painew, Verbo Nostro Comunicação Planejada, IPCCIC, RP Cine, Guarda Civil e Polícia Militar.  

Sobre a FIL
A FIL (Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto) consagrou-se como um dos maiores eventos culturais do país e tornou-se internacional em 2020. Atualmente, possui 24 anos de história e realiza neste ano a sua 23ª edição. A cada ano, a programação reúne autores, artistas, intelectuais, educadores, estudantes e participantes de diversas localidades. Todas as atividades são gratuitas e abertas à população, o que consolida o objetivo primordial de fomentar a leitura e de contribuir para ampliar os números de leitores do país.  

Sobre a Fundação
A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, responsável pela realização da Feira Internacional do Livro da cidade, hoje considerada a segunda maior feira a céu aberto do país.  Com uma trajetória sólida, projeção nacional e agora internacional, a entidade ganhou experiência e, atualmente, além da feira, realiza muitos outros projetos ligados ao universo do livro e da leitura, com calendário de atividades durante todo o ano. A Fundação do Livro e Leitura se mantém com o apoio de mantenedores e patrocinadores, com recursos diretos e advindos das leis de incentivo, em especial do Pronac e do ProAc.

     

07/07/2024 - Verbo Nostra
Foto:  Divulgação